Metodologia Pericial
Quais São os Itens Analisados na Perícia Grafotécnica: Método Grafo-Analítico Completo
A perícia grafotécnica é uma análise técnico-científica da escrita e das assinaturas para verificar autenticidade, autoria e eventuais manipulações. No método grafo-analítico, avaliamos 22 itens — subjetivos e objetivos — para formar um juízo robusto de convergências e divergências.
Por que 22 itens?
Uma assinatura não pode ser avaliada por um único elemento visual. A falsificação pode acertar alguns aspectos e errar outros. Por isso, o método grafo-analítico completo avalia o conjunto de características gráficas — e é a soma ponderada de convergências e divergências que orienta a conclusão técnica.
Os 22 itens do método grafo-analítico
1. Ritmo (Subjetivo)
A cadência global do gesto gráfico — regularidade e oscilações. Observamos a constância do fluxo, interrupções e pausas. Variações: fraco, médio ou forte.
2. Dinamismo (Subjetivo)
Energia e movimento do traço — vigor gestual. Avaliamos transições entre curvas e ângulos, acelerações e paradas. Variações: baixo, médio ou alto.
3. Velocidade (Subjetivo)
Rapidez de execução, avaliada pelo alongamento dos traços e grau de simplificação. Variações: lenta, moderada ou rápida.
4. Habilidade (Subjetivo)
Destreza técnico-motora do escrevente — regularidade formal, controle e coordenação fina. Variações: rudimentar/escolar, técnica ou senil.
5. Letra
Tipo de grafia predominante — cursiva, de forma (imprensa), mista ou com polimorfismo (variação natural do mesmo autor).
6. Ataque
O início de cada traço/letra — posição, pressão inicial e modo de entrada. Variações: apoiado, não apoiado ou infinito.
7. Remate
O término do traço/letra — direção final, alívio de pressão e forma do término. Variações: apoiado, não apoiado ou infinito.
8. Gramas (forma)
Desenho básico dos elementos — arcos, laços, curvas. Predominância de curvas, círculos ou ângulos.
9. Gramas (posição)
Passagens superiores/inferiores em letras como g, j, y, f, t, l. Extensão e domínio das zonas superior, média e inferior.
10. Hábitos gráficos
Recorrências idiossincráticas do autor — tiques, floreios, atalhos. Traços repetidos ao longo do texto que funcionam como uma "assinatura dentro da assinatura".
11. Trajetória
Direção do traço e sentido do giro — eixo dos movimentos e curvas predominantes. Variações: sinistro-destro, giro anti-horário ou horário.
12. Espontaneidade
Naturalidade do gesto — ausência de tremor ou hesitação. Variações: fluída ou trêmula. Falsificações costumam revelar menor espontaneidade.
13. Traços de ligação
Conexões entre letras e elementos — continuidade e andamento do enlace. Variações: por baixo, ao centro ou por cima.
14. Alinhamento
Linha de base das palavras ou assinatura — tendência do conjunto no suporte. Variações: horizontal, ascendente, descendente, arqueado ou sinuoso.
15. Momentos gráficos
Mudanças significativas de direção ou pressão no traço — pontos de inflexão característicos. Enumerados e comparados entre padrões e documento questionado.
16. Espaçamentos gráficos
Distâncias entre letras e palavras — regularidade e padrão. Variações: curto, médio ou longo.
17. Inclinação axial
Ângulo predominante do eixo das letras. Variações: vertical, dextrogira (para a direita), sinistrógira (para a esquerda) ou mista.
18. Proporcionalidade
Relação entre alturas e zonas dos elementos — zona média versus superiores e inferiores. Variações: baixa, média ou alta.
19. Calibre
Espessura e espraiamento do traço — largura visível e resposta do instrumento de escrita. Variações: pequeno, médio ou grande.
20. Pressão
Intensidade com que o instrumento atua no suporte — gradação do contraste e, quando aplicável, impressão no verso. Variações: fraca, média ou forte.
21. Gladiolagem
Variação direcional do traço com aspecto de gládio (espada) — sinal gráfico longitudinal e sua orientação. Variações: constante, positiva ou negativa.
22. Tendência de punho
Preferência biomecânica do punho na formação de arcos — leitura global dos arcos predominantes. Variações: angulosidade, arcada, guirlanda ou mista.
Como integramos os 22 itens para chegar ao resultado
- Convergências x Divergências — cada item é marcado por similaridade (convergente) ou oposição (divergente) entre padrões autênticos e documento questionado
- Peso técnico — itens objetivos têm maior estabilidade; os subjetivos completam o quadro cinético do gesto
- Conclusão ponderada — a soma de convergências e a natureza das divergências orienta a conclusão: compatível, incompatível ou insuficiente
- Cadeia de custódia — asseguramos contemporaneidade, adequabilidade e quantidade de padrões para comparar com rigor científico
"Um único item divergente não invalida uma assinatura. Avaliamos o conjunto dos 22 itens e o peso qualitativo de cada divergência para uma conclusão fundamentada." — Marcio Varolo, Perito Grafotécnico
Perguntas Frequentes
Quantos padrões são necessários para a análise?
O ideal é uma amostragem ampla — ao menos 10 a 15 assinaturas contemporâneas, espontâneas e adequadas ao tipo de escrita analisada.
Um único item divergente invalida a assinatura?
Não. Avaliamos o conjunto dos 22 itens e o peso qualitativo de cada divergência. Pequenas variações naturais fazem parte de qualquer assinatura autêntica.
O laudo descreve todos os 22 itens?
Sim. O laudo pericial descreve a metodologia, os exames realizados, os itens avaliados e a fundamentação técnica da conclusão — tornando-se apto a instruir processos judiciais e extrajudiciais.